À medida que as articulações para as eleições de 2026 no
estado do Rio de Janeiro ganham corpo, diversos nomes começam a circular nos
bastidores e nas pesquisas de opinião como possíveis candidatos ao Palácio
Guanabara. O atual prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), desponta como o
principal nome até agora. Reeleito em 2024 com folga, Paes lidera as pesquisas
para o governo estadual com ampla vantagem. Embora tenha declarado publicamente
não ter interesse na disputa, seu grupo político — que inclui o deputado
federal Pedro Paulo e o presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PT) — trabalha
nos bastidores para viabilizar sua candidatura. Freixo, que disputou o governo
em 2022, tem preferido manter-se numa posição de articulação nacional dentro do
governo Lula, mas poderá influenciar diretamente a formação de uma chapa de
centro-esquerda que uma forças do PT, PSB e PSD.
Do campo progressista, outros nomes também são mencionados.
O deputado federal Tarcísio Motta (PSOL) surge como uma opção mais à esquerda,
com presença consolidada na militância dos movimentos sociais e nas zonas
urbanas mais críticas ao bolsonarismo. Apesar de figurar em patamares mais
baixos nas pesquisas, Tarcísio pode representar um polo de resistência e,
eventualmente, compor uma frente mais ampla com partidos do campo democrático.
Há ainda setores do PT que gostariam de ver o próprio Marcelo Freixo tentar
novamente a disputa, embora a interlocução com o PSD de Paes tenha crescido nos
últimos meses, sinalizando uma possível coalizão.
Pelo campo conservador, o senador Flávio Bolsonaro (PL) é
considerado a aposta mais forte da direita bolsonarista. Seu nome aparece em
segundo lugar nas pesquisas e conta com o respaldo direto do ex-presidente Jair
Bolsonaro, que continua exercendo forte influência entre os eleitores mais
ideologizados da Baixada Fluminense, da Zona Oeste do Rio e do interior do
estado. A eventual candidatura de Flávio, no entanto, dependerá da avaliação
estratégica do PL e do próprio clã Bolsonaro, que poderá optar por lançar outro
nome em função do cenário nacional.
Entre os aliados do atual governador Cláudio Castro (PL),
três nomes surgem como possíveis sucessores: Rodrigo Bacellar (União Brasil),
atual presidente da Alerj; Washington Reis (MDB), ex-prefeito de Duque de
Caxias e secretário estadual; e Thiago Pampolha (MDB), vice-governador. Os três
têm apoio direto de Castro e circulam entre prefeitos e lideranças regionais
para consolidar seus nomes. Bacellar é forte no Norte Fluminense e tem a
máquina da Alerj ao seu lado; Reis tem base sólida na Baixada e trânsito com
setores religiosos; e Pampolha, mais discreto, surge como opção de continuidade
para manter a aliança entre MDB e PL.
Wladimir Garotinho (PP), reeleito prefeito de Campos com
votação expressiva, também tem sido citado como possível candidato ao governo
ou ao Senado. Seu nome representa a tentativa de retorno de uma linhagem
política tradicional no estado. Já o prefeito de Macaé, Welberth Rezende
(Cidadania), foi apontado como um nome novo com potencial de ocupar o posto de
vice numa chapa governista, especialmente se houver a necessidade de ampliar o
espectro político da candidatura principal.
Além desses, aparecem nas pesquisas nomes como o
ex-presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, associado a setores empresariais e
conservadores, e o médico Ítalo Marsili, com baixa intenção de voto, mas com
apelo junto a grupos religiosos e influenciadores digitais. Ambos têm pouca
estrutura partidária, mas não estão fora do jogo.
O cenário segue indefinido, mas a movimentação já é intensa
nos bastidores. A disputa pelo governo do Rio em 2026 promete ser uma das mais
polarizadas e estratégicas do país, com alianças improváveis e negociações que
devem se intensificar à medida que os partidos testam seus nomes nas ruas e nas
pesquisas.
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